Um texto da Erica do 9B

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No dia 2 de março de 2020, chegou-nos aos ouvidos uma notícia que abalou todo o país: tinha sido confirmado o primeiro caso de COVID-19 cá em Portugal. A COVID-19 é uma doença infeciosa causada por um novo vírus (coronavírus) que causa problemas respiratórios semelhantes à gripe e sintomas como tosse, febre e, em casos mais graves, dificuldade para respirar.

Admito que no início não achei que a situação se viesse a tornar assim tão grave. Só comecei a ter mais noção do que realmente se estava a passar quando, no dia 13 de março, encerraram as escolas, como medida de prevenção, e nos pediram permanecermos em casa, em isolamento social.

Confesso que não tem sido nada fácil. Têm sido uns tempos assustadores, as nossas rotinas mudaram completamente. Agora passamos os dias fechados em casa, sem nada para fazer, e não podemos sair à rua para visitar o resto da nossa família ou os nossos amigos. Cá em casa, saímos uma vez, a cada duas semanas, apenas para fazermos umas compras básicas para a nossa alimentação e bem-estar. Isto de ter aulas pela Internet tem sido um completo desafio: os professores mandam-nos alguns exercícios para fazermos e enviarmos a respetiva resolução; outros dão aulas por videochamada e agora foi implantada a telescola. Os meus pais continuam a ir trabalhar, mas os pais de alguns colegas meus trabalham a partir de casa e alguns nem trabalham; os supermercados estabeleceram limitações; as visitas a lares foram suspensas; os centros comerciais, os restaurantes, cafés e similares encerraram; fecharam as fronteiras e não podemos sair do país.

As consequências serão imensas e passarão pela política, economia, modelos de negócios, relações sociais, cultura, psicologia social e pela relação com o espaço público, entre outras. Uma coisa é certa: o mundo não será como antes. Esta pandemia é como uma Guerra Mundial contra um inimigo invisível, as consequências vão ser as mesmas que ocorreram nas guerras anteriores (tirando a parte da destruição): haverá milhares de mortos; algumas pessoas vão ficar com sequelas, nunca irão recuperar totalmente, outras vão ter doenças psicológicas devido a tudo o que se passou; muita gente vai ficar desempregada; algumas empresas vão falir; o poder de compra vai diminuir; haverá fome e miséria; a mendicidade e a criminalidade (roubos, alcoolismo, prostituição) vão aumentar; haverá também tensões sociais, manifestações,…

Esta pandemia arruinou imensos planos. Não era assim que eu imaginava passar o meu último ano nesta escola. Preferia estar na aula de Português a escrever este texto, rodeada pela minha turma, pelos meus amigos. Os meus amigos… O que me está a custar mais nesta quarentena é, sem dúvida, o facto de não os poder ver quando quero. Este era o nosso último ano juntos. Queríamos aproveitá-lo ao máximo, até já tínhamos várias coisas combinadas, tal como o baile de finalistas. Via-os praticamente todos os dias, desde o infantário e agora, por causa deste vírus, provavelmente nunca mais vou estar com eles; no máximo, vou estar poucas horas, apenas com dois ou três, no decurso de alguns fins-de-semana, e nós merecíamos ter uma despedida em condições.

O meu maior desejo do momento é que isto tudo acabe rapidamente para eu poder viver a minha vida como uma adolescente normal. Para que tal possa suceder, lavem as mãos com frequência, evitem o contato e, por favor, fiquem em casa.

Erica Coura 9B

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