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9ºB, nº5, Fábio Martins

Estamos em novembro de 1917 na 2ª fase da 1ª Guerra Mundial, a guerra das trincheiras ou guerra de posições. Eu e os meus colegas fomos enviados para a frente ocidental para combater os Alemães, somos soldados Franceses da Tríplice Entente onde estamos nós, a Inglaterra e a Rússia, a combater contra a Tríplice Aliança constituída pela Alemanha, o Império Austro-Húngaro e inicialmente a Itália. Fomos largados nas trincheiras que são umas valas escavadas no solo onde nos refugiamos dos bombardeamentos e atacamos o inimigo quando ele tenta avançar apoiando-nos num degrau o degrau de disparo e atirando sobre eles. Morrem soldados em cada bombardeamento nas trincheiras, mas a maior parte refugia-se nas galerias mais profundas e assim que o bombardeamento e a infantaria avança, nós saímos montamos as metralhadoras e dizimámo-los morrendo às centenas, eu e os meus colegas ficamos destroçados ao ter de o fazer, mas caso contrário os Alemães ganham território.

Podiamos por exemplo estar na trincheira a jogar às cartas e de repente o nosso companheiro morrer num bombardeamento, já não dávamos grande importância á perda de alguém a menos que fosse um amigo íntimo. Dezembro de 1917 foi o pior Natal que alguma vez passei. As condições aqui nas trincheiras são péssimas isto é um inferno, como as trincheiras não passam de umas valas escavadas na terra e estamos no inverno, chove todos os dias e as trincheiras transformaram-se em autênticos rios de lama onde se torna quase impossível movermo-nos com os pés completamente atolados na lama e nos corpos dos nossos companheiros mortos. A comida é péssima, pois é tudo enlatado e as rações são bastante pequenas de modo que passamos muita fome, estamos tão infestados de piolhos que chegamos a queimar a nossa roupa em grandes fogueiras.

Temos cães para apanharem as ratazanas que comem os cadáveres dos nossos companheiros mortos em combate, creio que não haja ninguém de completa saúde, eu por exemplo ando com uma gripe péssima devido ao mau tempo e aos micróbios que passamos de uns para os outros e que não param de multiplicar-se. Tenho colegas com febres altas á dias que ainda não saíram da área de recuperação de doentes e outros que ficaram com doenças na pele e que tiveram que amputar partes do corpo. Julho de 1918 o inverno já lá vai e agora é o calor insuportável que nos incomoda.

Nunca tinha visto tecnologia desta há submarinos e barcos navegam os oceanos, aviões e dirigíveis cruzam os ares, as armas evoluíram tão depressa e tão repentinamente que foi como se déssemos um salto no tempo, surgiram novas armas as armas químicas, comos os gases asfixiantes que se são usados pelos Alemães e por nós contra o inimigo invadindo as galerias da trincheira, quem não colocar as máscaras de gás a tempo morre asfixiado ou fica com os pulmões seriamente afetados para o resto da vida. Há também as metralhadoras que disparam as suas balas continuamente, os tanques que são bastante difíceis de combater visto que conseguem ultrapassar os obstáculos, o canhão de longo alcance que atinge os inimigos enquanto eles tentam cruzar a «terra de ninguém».

A «terra de ninguém» é o espaço que fica entre as duas frentes e que apenas é cruzado por nós ou pelos alemães para atacar as linhas inimigas, que está repleta de crateras provocadas pelo rebentamento de bombas e semeada de corpos de Alemães e de Franceses que tentaram atravessá-la mas em vão, é quase impossível fazê-lo pois o inimigo está sempre do outro lado montado numa metralhadora e pronto a disparar. Enquanto nós damos o corpo e arriscamos as nossas vidas em combate, os nossos comandantes estão nas linhas atrasadas bem instalados e confortáveis a delinear a estratégia que é sempre a mesma: vários dias de bombardeamentos sobre o inimigo, seguidos pelo ataque da infantaria.

O resultado é sempre igual assim que o bombardeamento acabava, o inimigo ergue-se amarra na metralhadora e mata tudo o que estiver na sua frente. Setembro de 1918 vem aí mais um inverno e eu não sei se aguento outro, este maldito inferno nunca mais acaba a minha vontade é fugir daqui cheguei a ter na ideia um plano de fuga, não me lembro da última vez que comi bem e já só penso na hora de sair daqui ir para minha casa ver a minha família, a minha mulher, os meus filhos e os meus amigos, mas o que eu penso todos os meus colegas pensam. Novembro 1918 mais precisamente, 11 de novembro finalmente a Alemanha assina o armistício e a 1.ª Guerra Mundial acaba, ganhámos a guerra aos alemães. O senhor todo, poderoso ouviu-me vou voltar a ver os meus filhos. Saio daqui marcado pela guerra mas com amizades novas sei que podiam ter sido mais pois alguns dos meus amigos feitos lá não tive a oportunidade de velos cá fora e agradeço a Deus ainda estar vivo.

 

 

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