A Leonor fala-nos da Conferência de Berlim e da «Questão do Mapa Cor de Rosa».

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A Leonor do 9D escreveu, na aula de História, um texto fantástico sobre a Conferência de Berlim (1884/85) e a «Questão do Mapa Cor de Rosa». Numa altura em que cada vez mais temos de olhar para o passado para perceber o que de estranho nos traz o presente, lê até ao fim e aproveita para saber como surgiu o Hino de Portugal.

 

            Os progressos técnicos e o desenvolvimento do capitalismo comercial e financeiro fizeram com que no final do século XIX e início do século XX a Europa (destacando as principais potências: Inglaterra, França e Alemanha) obtivesse um domínio sobre os restantes continentes. A rivalidade económica, que se foi criando entre países industrializados, levou a que estes desenvolvessem uma política  expansionista sobre as regiões não autónomas que assentava no colonialismo e imperialismo e que era motivada pela procura de matérias primas mais baratas para a indústria; pela procura de novos mercados para vender os produtos agrícolas e industriais excedentários; pela necessidade de encontrar um destino para a população europeia excedente; pela pretensão de fazer investimentos rentáveis (como minas e fábricas); pelo interesse científico  na exploração do interior dos continentes e, como já referido anteriormente, para reforçar a sua força militar e técnica e impedir a expansão dos seus rivais.

A rivalidade começou a criar tensão entre os países da Europa e em 1884/85 deu-se a Conferência de Berlim, liderada pelo chanceler alemão Bismark, que tinha como objetivo dividir a África pelos países europeus, estabelecendo assim as novas ocupações e consequentes fronteiras do território. Nesta conferência, as grandes potências, ficaram favorecidas, pois foi abandonado o direito histórico de descoberta e adotado o direito de ocupação efetiva (onde os territórios africanos pertenceriam aos países que demonstrassem capacidade de os ocupar e de assegurar a existência de uma autoridade capaz). Portugal, que possuía territórios por direito histórico, saiu em desvantagem e em 1885 só detinha as colónias de Angola e Moçambique.

Mais tarde, após as viagens de exploração de Serpa Pinto, Capelo e Ivens, a áreas pouco conhecidas, Portugal apresentou o Mapa-cor-de-rosa, onde reclamava para o país toda a faixa de território que ia desde a costa de Angola à de Moçambique. A posse destes territórios permitiria a Portugal reforçar a sua posição em África e competir com as potências europeias.

Após tomar conhecimento do Mapa-cor-de-rosa, a Inglaterra [que pretendia, através de uma linha férrea, juntar sob o seu domínio os territórios que iam do Cairo (Egito) ao Cabo (África do Sul)] enviou para Portugal um ultimato (decisão política enviada por um governo de um Estado para outro, que apresenta condições ou exigências, de cuja aceitação ou recusa depende a paz ou a guerra entre os dois Estados). Neste ultimato, a Inglaterra ameaçava ocupar Portugal caso este não retirasse as tropas portuguesas dos territórios entre Angola e Moçambique. Portugal, sem possibilidade de enfrentar os Ingleses (principal potência da época) cedeu às suas exigências.

Esta cedência, contudo, desencadeou no país um movimento de contestação à monarquia portuguesa e uma grande repulsa aos ingleses, o que levou à criação de cânticos contra os «bretões» (ingleses) no qual destacamos «A Portuguesa» que mais tarde, após sofrer algumas ligeiras alterações, foi adotada como hino nacional da República Portuguesa.


Leonor Araújo 9D

 


Delimitação das fronteiras em África,
Gravura francesa de 1913.


Conferência de Berlim 1884-1885, convocada por
Bismarck, onde estão presentes todos os Estados
com interesses coloniais e comerciais em África.


Caricatura de Bismarck (Chanceler da Alemanha)
a dividir a África, fevereiro de 1885.


As viagens dos exploradores portugueses
ao Interior de África em finais do séc. XIX.


O mapa cor-de-rosa, publicado em 1886, pela
Sociedade Portuguesa de Geografia.

Os interesses dos ingleses em África.
Caricatura representando Cecil Rhodes,
1.º Ministro Britânico.

 


Caricatura representativa do ultimato inglês
a Portugal em 1890.


O Hino de Portugal «A Portuguesa»,
na sua versão original.

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