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O Flávio do 9.ºC dá-nos a sua visão da Rússia nos conturbados tempos da Revolução do início do século XX.


Nicolau II – czar da Rússia (1894-1918)

A Revolução Russa vista por um operário

Chamo-me Vladimir Yure e sou um operário russo que trabalhava numa indústria de calçado. Eu sempre trabalhei muito para ter melhores condições de vida de modo a conseguir alimentar a minha família, no entanto, em certos momentos, o meu esforço não era compensado em dinheiro e, por isso, não chegava para o pão.

No início do século XX, o nosso Czar Nicolau II impunha um regime absolutista e dispunha de todos os poderes, como o poder legislativo, executivo e judicial, e apenas se via obrigado a prestar contas a Deus. Nesses tempos, na Rússia, vivia-se um clima social tenso, com uma sociedade muito mal equilibrada e bastante hierarquizada, estando no topo o czar, obviamente. O clero e a nobreza eram os que regulamentavam as grandes terras, não pagando impostos sobre as mesmas. Por consequência, nós, os operários, e também os camponeses e uma grande parte da burguesia, vivíamos na miséria e eramos sobcarregados de impostos, tínhamos maus salários e muitas horas de trabalho.

Eu e os meus colegas de trabalho ganhávamos muito pouco e trabalhávamos muitas horas, a nossa fábrica tinha condições precárias, e, por vezes, vinham lá técnicos estrangeiros e eram investidos muitos capitais estrangeiros na fábrica, que só queriam explorar a riqueza do nosso país.

Cada vez a vida estava mais difícil, tinha cada vez mais dificuldade em pagar os impostos, então apoiei clandestinamente o Partido de Lenine, que defendia a proletarização da sociedade e a abolição da propriedade privada, e com isto, teríamos todos os mesmos direitos e os impostos baixavam. No dia 22 de janeiro de 1905 eu, juntamente com milhares de pessoas, manifestamo-nos pacificamente em frente do palácio do czar exigindo melhores condições de vida, o fim da censura, bem como a criação dum parlamento e duma Constituição. Este episódio ficou conhecido na história contemporânea como o Domingo Sangrento, pois o czar ordenou ao exército que disparasse contra nós. Perante este fuzilamento, eu tive tempo e a sorte de conseguir fugir, mas este episódio, no qual o czar mandou matar muitas pessoas deixou-me, ainda, com mais raiva dele e do seu absolutismo. Apesar da sua rápida e, talvez, irracional ação, de forma a acalmar as pessoas, criou um parlamento chamado Duma, deu liberdade para a criação de partidos políticos, e prometeu criar uma Constituição. É importante referir que vi estas medidas sendo manipuladas pelo czar, pois só participavam na Duma pessoas da sua confiança, a liberdade de criação de partidos políticos foi retirada após críticas à forma como czar governava, e a Constituição nunca foi criada.

Na Primeira Guerra Mundial, os nossos soldados estavam com extremas dificuldades, pois o exército estava mal-organizado e passavam condições miseráveis, muitas vezes esfomeados e existiam vezes que se rendiam só para terem o que comer. Como havia falta de alimentos, o preço destes aumentou e os impostos também. Nós, a população, não tínhamos o que comer, e então, decidimos organizar revoltas nas principais cidades do país pedindo pão.

Em fevereiro de 1917, com as constantes greves e revoltas dos burgueses em S. Petersburgo, o czar, descontente com a situação por se sentir desafiado e desrespeitado pela população, ordenou aos soldados para dispararem contra os burgueses revoltosos, porém, o exército juntou-se à revolta burguesa. O czar foi obrigado a abdicar do cargo e criou-se um governo provisório liderado por Kerensky que, para mim, trouxe de positivo a democracia parlamentar, ou seja, todos podiam votar, através do sufrágio universal. Deram, também, amnistia aos presos e exilados políticos, e com isto Lenine conseguiu regressar à Rússia, pois tinha fugido para a Suíça.

Um ponto negativo perante a liderança de Kerensky foi a permanência da Rússia na Primeira Guerra Mundial, tal como a continuação da sociedade hierarquizada. Em outubro do mesmo ano, Lenine, juntamente com Trostsky, apoiado pelos sovietes, grupos de camponeses, soldados e nós, os operários, organizou uma nova revolta, a revolta dos bolcheviques, também conhecida por revolução de outubro, em S. Petersburgo, onde prendeu os ministros do governo provisório, ficando ele à frente da Rússia. Aplicou medidas que nos beneficiaram, como por exemplo, a retirada da Rússia da Primeira Guerra Mundial, o fim da propriedade privada, que apesar dos meus patrões não serem indemnizados, considero que tenha sido uma boa medida para eu conseguir um melhor estilo de vida. A produção agrícola passou a pertencer ao Estado, menos a de consumo próprio, sendo uma medida que me causou uma certa desconfiança. Apesar de satisfazer a maioria da população, estas medidas desvalorizavam o clero e a nobreza, retirando-lhes poder.

Estas medidas seguiram o modelo do marxismo que, ao ser adaptado ao poder de Lenine, passa a denominar-se como marxismo-leninismo, no qual o Estado era o único que podia garantir o nosso bem-estar e era dirigido através do proletariado, ou seja, da classe trabalhadora, na qual eu me inseria. Considero esta medida justa, pois quem trabalha é que sabe como custa não ser valorizado e nem ter condições mínimas de vida.

Estes acontecimentos originaram uma Guerra Civil. Num lado estavam os russos brancos liberais democratas, e do outro lado os russos vermelhos, os bolcheviques, que defendiam o comunismo. Eu apoiava os vermelhos e, no fim, foram eles que acabaram por ganhar a guerra. Para além de tudo isto, os camponeses produziam só para eles e não também para o Estado. Com isto, criou-se a NEP, uma Nova Política Económica, que deu alguma liberdade para as pessoas venderem os seus produtos nos mercados, foi permitida a entrada de capitais e técnicos estrangeiros para modernizar a indústria, aumentar a produtividade, e foram permitidas pequenas unidades de produção privadas, o que fez com que os camponeses produzissem mais para venderem nos mercados e depois terem lucro.

Concluindo, a doutrina económica comunista foi inspirada na doutrina marxismo de Karl Marx que defende uma sociedade sem classes. Eu vivia na miséria e esta doutrina ajudava-me em algumas coisas, por exemplo, eu era sobrecarregado de impostos e assim passaria a pagar menos impostos, iríamos ter todos os mesmos direitos, a propriedade era coletiva, ou seja, era de todos, mas também não era justa em alguns aspetos, eu poderia trabalhar muito mais do que o meu colega de trabalha, mas iriamos receber o mesmo. Isto levou em que 1922, criassem uma Constituição que deu origem a uma federação de Estados, chamada União das Repúblicas Soviéticas (URSS).


Flávio Torres Azevedo Nº4 9ºC

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