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Um operário na Itália fascista

Eu era um simples operário que trabalhava numa fábrica na capital, o país estava em degradação, pois os resultados da 1.ª Guerra Mundial não foram os esperados, morreram cerca de 1 milhão de soldados e inúmeros feridos graves, não conseguimos muitas compensações, nem os territórios que ambicionávamos no Norte e, para além disso, 2 milhões de soldados desmobilizados que levou a uma enorme taxa de desemprego.

Nós estávamos descontentes, precisávamos urgentemente de mudar de governo, a economia não melhorava, os mais ricos faziam-nos trabalhar com cães em troco de migalhas, ouvimos notícias da vitória comunista na URSS, uma chama ardeu em nós com esperança de conseguirmos fazer o mesmo, por isso começamos a fazer greves e a protestar na rua. Mas muitos não estavam contentes com as nossas ações, nomeadamente os grandes proprietários e industriais que temiam perder as suas posses. Nesse clima de agitação social surgiram os partidos de extrema-direita que aproveitaram para angariar apoiantes entre os descontentes. Entre eles destacou-se o Partido Nacional Fascista, representado por Benito Mussolini.

Essa ideologia defendia a existência de um único partido; através do controlo de todos os domínios da sociedade, o Estado exercia o totalitarismo, ou seja, nada deve estar acima dos interesses da Nação; o militarismo onde o exército e o chefe do governo faziam grandes desfiles para mostrar o poder da Nação; a violência e a guerra para garantir a independência através do imperialismo; o ultranacionalismo que enaltecia os valores nacionais e raciais e de determinados episódios na História do país e com a aplicação do corporativismo pretendia-se uma mediação entre os interesses dos trabalhadores e os do patronato, como forma de garantir a harmonia social que tanto convinha ao Estado.

Essas ideologias eram totalmente opostas à democracia que defendia a existência de vários partidos e a liberdade de expressão. É claro que grande parte do operariado, incluindo-me ainda defendia o comunismo, mas fomos calados, um a um, até que desistimos devido ao medo que tínhamos de que nos matassem e à nossa família. Um colega meu que liderava um partido de esquerda a favor do comunismo foi encontrado esfaqueado em casa e muitos outros desaparecerem sem deixar rasto, era óbvio o que tinha acontecido, mas ninguém tinha coragem de falar. Nessa época eramos governados pelo medo e terror que a extrema-direita impunha, a ideia do comunismo parecia agora um sonho irrealista de liberdade.

Nessa atmosfera os fascistas multiplicaram-se rapidamente. Em julho de 1920 eram apenas 108, em novembro de 1921 estimava-se cerca de 2000 militares inscritos. No outubro seguinte os fascistas decidiram organizar uma marcha sobre Roma com cinquenta mil camisas negras (milícias fascistas). Para evitar a guerra civil, o rei Vítor Manuel III convidou Mussolini a formar governo.

Em 1924 após uma eleição, que muitos acreditavam ter sido manipulada através da fraude e violência, Mussolini tornou-se no “Duce” e passou a governar.

Apesar de tudo a recuperação económica levada a cabo pelo regime de Mussolini obteve resultados notáveis. Num dos dias em que Mussolini se apresentou em público e fez um dos seus mais marcantes discursos, disse o seguinte:

“- É preciso um partido único para que a disciplina económica derive da disciplina política. A liberdade é um cadáver em putrefação. Nada deve haver acima do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado. A Nação é a mais alta forma de sociedade que a raça humana pode desenvolver. O poder executivo não pode ser reduzido a um grupo de manequins que as assembleias fazem dançar ao sabor dos seus caprichos. Se o liberalismo significa indivíduo, o Fascismo significo Estado!”

Os discursos de Mussolini eram de tal forma cativantes que multidões se calavam para o ouvir. As suas palavras eram tão poderosas que muitos se curvavam ao fascismo. Mas por detrás disso tudo, as ações repressivas multiplicaram-se e para difundir o Fascismo criou milícias armadas como os “Camisas Negras”, e um sistema de censura que vigiava os órgãos de comunicação, manobrando-os. As camadas mais jovens ingressavam nas organizações juvenis, como os Lobitos, Balillas, Vanguardistas e Juventude Fascista, onde eram educadas na lógica de obediência total ao Duce.

Mussolini implementou um conjunto de medidas económicas que visavam a autossuficiência económica, isto é, a produção de tudo o que é necessário a fim de limitar as importações. Apoiou o nacionalismo económico, ou seja, a produção e o consumo de produtos nacionais. Aumentar a produção de cereais, através da introdução de novos adubos químicos, novas técnicas de irrigação e sementes selecionadas. Entre 1925 e 1940 a produção do trigo aumentou cerca de 60%. Ele construiu muitas obras públicas como estradas, caminhos de ferro, barragens…

No final não havia nada que nós, simples operários, pudéssemos fazer contra o poder esmagador de Benito Mussolini e acabamos por nos render ao fascismo.


Ana Silva 9.ºA

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