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A menina Maria que cresceu na Itália Fascista

Chamo-me Maria e nasci no ano de 1910 na Itália.  Lembro-me que anos 20 e 30, a Itália vivia uma profunda crise económica, marcada pelas consequências da 1.ª Guerra Mundial e com agravamento dos problemas com a Grande Depressão dos anos 30.

Ouvia muitas vezes o meu pai e a minha mãe falarem sobre a crise no país, sobre o desemprego, sobre o aumento dos impostos e a queda da produção industrial. O descontentamento alastrou-se pela população.  Os partidos de esquerda procuravam explorar a situação a seu favor. Os camponeses reclamavam as terras, o proletariado organizava greves. E como os partidos de esquerda não faziam nada para que a situação do país mudasse para melhor, logo, as pessoas rapidamente acreditavam que a única maneira de sair da crise era apoiar os partidos da direita. Em 1922, Mussolini chegou ao poder após membros do Partido Nacional Fascista decidirem organizar uma marcha sobre Roma. Perante esta manifestação de força, para evitar uma guerra civil o rei Vítor Manuel III chamou Mussolini ao poder.

Lembro-me que todos nós tínhamos de obedecer a tudo a que ao nosso Duce dizia. Ele proclamava nos seus discursos: que era preciso um partido único para que a economia do país melhorasse; que a liberdade era um cadáver em putrefação; que nada devia haver acima do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado; que a Nação era a mais alta forma de sociedade que a raça humana se podia desenvolver, que o poder executivo não podia ser reduzido a um grupo de manequins que as assembleias faziam dançar ao sabor dos seus caprichos; que o liberalismo significava indivíduo, o fascismo significava o Estado.

O partido de Mussolini era de extrema-direita, a sua forma de atuação baseava-se em duas grandes armas. A violência – sob a forma de ameaças, espancamentos ou destruições. Era usada contra os partidos de esquerda e contra os sindicatos. Os partidos de extrema-direita distribuíam fardas e armas aos seus militantes e davam-lhes treino militar, formando, assim milícias armadas, disciplinadas e agressivas. Essas milícias promoviam frequentemente paradas e desfiles, como forma de exibir a sua força.  A propaganda – era feita através da imprensa, da rádio, de comícios e de manifestações. Com ela pretendia-se atrair, não só, as classes médias, mas também o operariado mais hesitante, prometendo-lhes segurança, melhores condições de vida e o fim do desemprego.

Quando Mussolini se tornou o nosso Duce, eu tinha apenas 12 anos de idade e fazia parte da organização juvenil “Os Balillas”. Essa organização tinha crianças e jovens dos 8 aos 14 anos, lá incutiam-nos o dever da obediência cega ao chefe e da disciplina.

Nas escolas o que mais falávamos era que tínhamos de obedecer a tudo o que o Mussolini nos mandava. Ele controlava tudo o que o seu povo fazia. As suas milícias armadas (“camisas negras”) praticavam ações de intimidação, espancamentos, destruição de casas e escritórios de opositores, intimidação. A Polícia Política (OVRA): Organização de Vigilância para a Repressão Antifascista, perseguia, prendia, torturava e executava os opositores ao regime fascista, os militantes de esquerda, os sindicalistas.

Mas, nem tudo foi mau aqui na Itália, Mussolini adotou um conjunto de medidas económicas que visavam a autossuficiência económica, isto é, a produção de tudo o que é necessário a fim de limitar as importações. Aumentou a produção e o consumo de produtos nacionais, como por exemplo: a batata e o trigo; aumentou a produção de cereais, através da introdução de novos adubos químicos; novas técnicas de irrigação e sementes selecionadas.  E também mandou construir estradas, caminhos de ferro, barragens.

Foram anos muito complicados.


Patrícia Teixeira 9.ºD

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