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No âmbito da empatia histórica, foi solicitado aos alunos do 9.º Ano, que encarnassem uma personagem da época em que se instalou e vigorou o Fascismo em Itália.

Como sugestão, foram-lhes apresentados alguns exemplos:
– um operário simpatizante da ideologia política de esquerda ou simpatizante da causa fascista;
– um soldado que veio da 1.ª Guerra Mundial, não tem emprego, está desocupado;
– um empresário, ou um banqueiro, ou um proprietário, ou um capitalista, simpatizante das ideias políticas de extrema direita;
– uma criança que vive na época e frequenta uma escola fascista e pertence à Juventude Fascista;
– ou outra…

A composição deveria retratar o contexto histórico da época:
– a ideologia de extrema-direita em oposição ao comunismo e à democracia;
– os meios utilizados pela extrema-direita;
– a ascensão de Mussolini ao poder;
– os apoios de que Mussolini beneficiou na sua ascensão ao poder;
– os princípios doutrinários do fascismo;
– os meios de que Mussolini se serviu para consolidar o Fascismo na Itália.

Por fim, foi feito o apelo ao uso de muita imaginação na criação do enredo histórico. Pretendia-se que a personagem, escolhida pelos alunos, se envolvesse em toda a (re)criação histórica.

Vê aqui a série completa.

Aqui fica o primeiro, da Ana Rodrigues do 9.º A.

Um operário desempregado na Itália Fascista

O meu nome é Enzo, sou um operário desempregado. Após a guerra perdi todos os meus bens. Esta situação gerou um clima de descontentamento e de desespero à minha família, os meus filhos tiveram de ir para as ruas mendigar e em alguns momentos tivemos até mesmo de roubar para comer. Para conseguir suportar a realidade que me rodeia acabei por me refugiar no álcool e não tenho estado sóbrio desde então.

Neste momento o meu país encontra-se dominado pela miséria, pelos conflitos sociais, revoltas armadas, greves e manifestações que muitas pessoas julgam ser culpa dos governos democráticos e das lutas entre os partidos políticos.

As dificuldades económicas permaneceram até que surgiram os novos partidos políticos de estrema direita e esquerda. Nós os operários fomos representados pelo partido político de esquerda que defendia a vitória do comunismo. Este movimento não agradava aos membros da burguesia capitalista que apoiavam o partido de extrema direita. Este não concordava com a democracia e apoiava a ditadura, onde o poder era ilimitado e estava nas mãos de uma só identidade.

Recentemente, perdi um grande amigo meu devido à violência dos movimentos do partido da direita, que treinam e armam militares para formar as milícias armadas. Estes militares saem à rua e instalam o caos pela cidade, destruindo habitações e espancando quem se opõem a este partido. Através da imprensa e da rádio, o partido da direita tentava ainda convencer-nos a apoiar as suas ideias, prometendo-nos que essa seria a forma de recuperarmos os nossos empregos e melhorarmos as nossas condições de vida.

Nesta altura tive de deixar o orgulho de lado e pensar primeiro na minha família, não podia continuar a vê-la sofrer e tinha de lutar para lhe dar uma vida melhor. A única saída que encontrei foi tornar-me um “camisa negra”.

No dia 28 de outubro de 1922, o Partido Nacional Fascista organizou uma marcha na qual eu e mais 50 mil camisas negras desfilamos sobre capital italiana. O rei Vítor Manuel III, temendo uma guerra civil, não ofereceu resistência armada, demitiu o governo e encarregou Mussolini de formar um novo governo.

Mussolini defendia a eliminação dos partidos democráticos, do Partido Comunista e dos sindicatos que eram os responsáveis pelos males da Itália. Para persuadir a população a apoiar o fascismo, Mussolini contava com o apoio das milícias armadas, da Polícia Política, da censura, da juventude fascista e da promoção da autarcia económica que visava a autossuficiência económica e o nacionalismo.

No Fascismo eram só aceites como oficiais as ideias e a prática política do único partido existente. Não havia espaço para liberdade de expressão. Tínhamos de nos submeter ao Estado, como disse Mussolini: “nada deve haver acima do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. Enquanto camisa negra já derramei sangue, mas apenas sangue de quem não respeitava ideais fascistas.

Hoje nasceu o meu segundo filho, forte e saudável. Quando ele for mais crescido vou colocá-lo numa escola fascista tal como fiz com o mais velho, que aos 14 anos já sabe manejar uma arma. Lá aprendem desde muito cedo a doutrinação política e recebem formação paramilitar.


9.º A Ana Rodrigues nº 1

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